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As Fontes

Dia 8/09/2008, as ações da United Airlines (UAUA) desabam mais de 75% na bolsa de Nova Iorque (NYSE). Motivo? A empresa divulgou estar em processo de falência. Nada mais óbvio, não é verdade? Se uma determinada empresa está para falir, significa que não vale muito mesmo.

O único problema é que a UAUA não havia divulgado nada sobre falência! Não pelo menos naquela data… Na verdade, em 2002, a empresa estava mal das pernas e enviou ofício à SEC nesse sentido. Acontece que o Googlebot, numa varredura na internet, pegou esse documento do site do jornal South-Florida Sentinel , mesmo sendo extremamente datado e o divulgou como se fosse atual no Google News. Por alguma razão os leitores South-Florida Sentinel haviam escolhido a notícia como importante, elevando-a a status de estar presente na home page do jornal (de onde o Googlebot puxa notícias). Os meios de comunicação, com destaque à Bloomberg, repercutiram a notícia vinda do Google News. Os investidores se desesperaram e começaram a vender; sistemas automatizados idem. O resultado foi a queda grotesca do papel em quinze minutos: de $12,50 para $3! Mais tarde, ao perceberem que tratava-se de algo infundado, o papel se recuperou e fechou o dia em torno de $10, ainda assim menos de 30% do preço de abertura do dia. Mesmo a UAUA tentado explicar a confusão, seu valuation chegou a cair, no pior momento, mais de 1 bilhão de dólares.

O que podemos aprender com esse episódio? É preciso checar as fontes na internet! Não há sistema infalível (e ainda há os mal-intencionados). Qualquer pessoa escreve o que quiser sobre o que quiser e publica (veja o meu caso, hehehe). Se num país como os EUA, que tem as instituições operantes e um sistema jurídico ativo que pune os excessos, isso ocorre, imagine no Brasil! Aqui, com essa frouxidão jurídica, estabeleceu-se que não há difamação pela internet. Confundiu-se democracia (e liberdade de expressão) com balbúrdia. O exemplo mais gritante é o Mainardi, que está sempre sendo bombardeado com inúmeras ofensas.

Mas o assunto aqui é FONTE. Como se precaver de não acreditar numa notícia infundada, mesmo essa sendo lida de um meio de comunicação de renome? O ideal seria checarmos pessoalmente tudo que lemos, mas confesso que essa tarefa é impossível de ser realizada. Imagine o seguinte: ao ler na Exame que a Bovespa sobe 3%, o leitor iria ao site da Bovespa e checaria a notícia. Mas espere! Pode ser que o site esteja com problemas ou desatualizado. O certo seria ligar para uma corretora ou abrir um home broker. Esse é só um exemplo que já prova como seria complicado. Com a avalanche de informações que lemos, checar fontes uma a uma é totalmente inviável.

A solução talvez seja selecionar fontes que erram menos. E checar as informações destoantes. Se o G1 informa que há um engarrafamento de 15km em São Paulo, não vou checar se é verdade. Afinal, isso é comum. Mas se a notícia diz que o engarrafamento é de 150km, ou se não há engarrafamento algum (tá bom, foi uma provocação pros meus amigos paulistas), aí devo checar a fonte porque algum erro há. Se determinado meio de comunicação começa a errar consecutivamente, é hora de parar de lê-lo. Ajudaria se houvesse uma punição para as empresas que erram, afinal, sua atividade é informar. Se informam errado, e ações são tomadas por seus leitores a partir dessa informação equivocada, os meios de comunicação têm que pagar de alguma forma.

A SEC investiga se houve manipulação do papel (veja na Reuters e no Wall Street Journal). Ou seja, se tudo foi uma ação orquestrada afim de se ganhar dinheiro em cima da volatilidade do papel. Penso que se houve má-fé, foi de alguém que sacou de onde o Google pegava as notícias e percebeu como burlar o mecanismo do Sentinel para colocar uma matéria na home page. O caminho para pegar os bandidos (se é que há nesse caso) é saber quem lucrou no dia – quem comprou o papel quando ele desabou. A partir deles é que a investigação deve continuar.

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One thought on “As Fontes

  1. GGR, perfeito. Se não corretamente utilizada, a internet (assim como qualquer outra fonte) pode ser um péssimo guia de informações. Não é bem o caso acima, mas é preciso checar as fontes e ter estômago para passar por algumas situações do gênero. Abs, Parodi.

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